Artigos


A reprodução total ou parcial dos artigos deste site é permitida desde que citada a fonte.


Quer enviar sua sugestão para um próximo artigo ou tem alguma dúvida sobre algum já publicado? Clique aqui!

Quer receber periodicamente no seu e-mail um aviso sobre novos artigos publicados? Inscreva-se aqui.

Quer enviar uma mensagem particular para Patrícia Jacob, clique aqui.


Sentimento de impotência gerando agressividade


Sexta, 7 Março, 2008


Por Patricia Jacob*
Você alguma vez já se perguntou:  "Por que sou tão agressivo com meu filho, quando na verdade queria ser carinhoso e amigo?".  Acredito que muitos pais já se viram assim e sentiram-se muito mal com isso.  Mas nenhuma mãe ou pai é bravo ou agressivo com o filho porque são maus ou porque não o amam.  Pelo contrário, os pais querem o melhor para seus filhos e isso comumente faz com que, no processo de querer educá-los da melhor forma possível, fiquem sem saber o que fazer em certas situações.  Esse "sem saber o que fazer" ou o "não poder fazer nada pelo filho" numa dada situação, é o sentimento de impotência, que é muito difícil de se sentir, principalmente quando se trata de quem amamos.  E o sentimento de impotência é o que mais gera agressividade no ser humano.  Alguns exemplos para que entendam o que é este sentimento de impotência e o percebam gerando agressividade:
 
*O bebê está chorando há horas.  A mãe já tentou dar o peito, já deu chupeta, chazinho, remedinho pra cólica, pegou no colo, ninou, cantou...  Já não sabe o que fazer (impotência), então fica brava e agressiva com o bebê.
 
*Uma mãe quando perde seu filho no meio de uma multidão.  Ela desespera, fica sem saber o que fazer e promete que quando encontrá-lo vai enchê-lo de abraços, que nunca mais vai largá-lo.  E quando o encontra, o que ela faz?  Briga com a criança!  Por quê?  Por causa do sentimento de impotência que a situação a fez sentir.
 
*A mãe de uma criança "difícil", que entra na fase de testar limites, de dizer não a tudo, de ser desobediente.  Essa mãe tenta dar a melhor educação possível, fazer dele um bom garoto, se esforça mesmo pra ser uma boa mãe.  Mas mesmo assim, uma vez após a outra, o filho apronta aquela arte, colocando abaixo tudo o que ela havia ensinado.  Como ela não sabe que ele está simplesmente obedecendo a um impulso da natureza infantil desta idade e não consegue dar limites de maneira eficaz, sente-se impotente e aí fica agressiva.
 
Então como conseguirmos lidar com esse sentimento?
 
Temos que poder nos perguntar, quando temos alguma situação difícil com os filhos, o que estamos sentindo nesse momento.  Perguntar-nos o que está nos deixando bravos e descontrolados:  se a raiva é engatilhada por um problema externo e estou transferindo pra casa, então tenho que me conscientizar de que não é justo descarregá-la nos filhos.  Leia os artigos sobre como lidar com a agressividade e o stress do dia-a-dia (o artigo passado e o anterior).  Mas se for a impotência, pergunte-se "Por que estou me sentindo impotente?".  Na maioria das vezes vai encontrar 3 respostas:
 
 *"Estou me sentindo impotente pois tenho muitas dúvidas sobre como educar bem meu filho.  Percebo que as crianças passam por várias fases e às vezes não sei como proceder da melhor maneira em cada uma dessas fases."  Se for essa a resposta, então procure a orientação de um psicólogo infantil ou um grupo de apoio a pais.
 
 *"Tenho dificuldades em colocar limites claros no meu filho e já não tenho mais controle sobre ele."  Aqui também cabe procurar uma orientação, mas você pode antes tentar encontrar dentro de si o porque dessa dificuldade em dizer "não" (é o medo de perder o amor do filho ou magoá-lo e traumatizá-lo ou essa dificuldade também é frequente quando tem que dizer não às pessoas lá fora?)  Tente também reler artigos anteriores a este, quando o tema ainda era limites e punições.
 
 *"Meu filho está passando por uma crise ou dificuldade.  Sei que é inevitável ao seu processo de amadurecimento, mas vê-lo sofrer sem que eu possa fazer nada me deixa louca!".  Situações como esta são muito comuns principalmente pra quem tem filho na adolescência. Nesses momentos, o melhor a fazer é tentar orientá-lo (o que nem sempre adianta), mas principalmente escutar sua angústia.  Sua escuta acolhedora é o melhor instrumento de ajuda que você pode ter nessas horas de sofrimento.  Mostrar compreensão também é importante, por mais simples ou tola que a situação pareça para os pais.  Quando eles podem falar, chorar, e reclamar bastante sobre o que os faz sofrer, a angústia vai passando...  Só não deixe que o sentimento de impotência tome conta de você porque não sabe o que dizer para ajudar, e não fique bravo com o sofrimento de seu filho.
 
 Escutá-lo já é uma grande ajuda!
 
 *Patricia Jacob é psicóloga clínica formada pela USP-SP.

Compartilhe:


   Postado em Vida Familiar  |  | Print


COMENTÁRIOS


Seu nome*

Endereço de e-mail*

Comentários*

Você pode usar estas tags HTML:<p> <u> <i> <b> <strong> <del> <code> <hr> <span> <div> <a> <img> 
Código de verificação*






Últimos Artigos





Assunto





Palavras Chaves



Administrador


© 2014. Patrícia Jacob

Todos os direitos reservados.


Hospedagem e desenvolvimento